‘Governos não sabem o que é a web’, diz membro da ONU
Veículo: O Estado de S. Paulo - Caderno Link - 19/11/2007
Responsável pela organização do Internet Governance Forum (IGF), Markus
Kummer, da ONU, acha que o futuro da internet é de responsabilidade de
todos: sociedade, empresas e governos. E estes últimos, na sua opinião,
devem se dar conta da importância da rede mundial para fomentar o
acesso, principalmente em países pobres, com o objetivo de trazer
desenvolvimento social e econômico.
Kummer é taxativo. “Muitos
governantes não sabem o que é a rede mundial e nem como ela pode dar
oportunidade às pessoas”, disse ao Link, entre uma pausa e
outra das inúmeras palestras de que participou na semana passada. “Já
países nada democráticos não querem saber mesmo, pois enxergam na web
uma forma de perder o controle da situação.”
Depois de surgir a
pedido dos países-membros da ONU para tentar resolver a questão da
internacionalização dos domínios, em 2005 (veja mais abaixo), o IGF, agora caminha para se tornar um espaço para discussões sobre o futuro da web.
E
a universalização do acesso tornou-se o tema mais importante. “Enquanto
não conseguirmos levar internet para todos, o assunto principal
continuará sendo o mesmo”, disse.
Pela própria dinâmica da internet, Kummer conta que o fórum também foi modificado. “Em Túnis (local do primeiro IGF, em 2005),
apenas os governos podiam ter voz. Havia platéia, mas ela não podia se
manifestar – mesmo se houvesse um representante de uma empresa que
estivesse em debate. Revimos isso. Neste ano, abrimos o encontro também
para a sociedade civil e as empresas.”
Esse novo modelo, disse,
representa uma quebra de protocolo inédita nas convenções da ONU. Por
outro lado, tirou o caráter mais prático e concreto das reuniões. “Não
há documento ou resolução nenhuma assinada. Mas vimos que não há como
discutir a internet sem levar em conta todos os atores do processo.
Além disso, os governos precisam aprender os conceitos, para
praticá-los. No futuro, os membros da ONU poderão, juntos, tomar
decisões mais acertadas baseadas no que foi discutido neste e nos
futuros encontros.”
No IGF deste ano, foram quatro os temas
principais: universalização do acesso, segurança no ciberespaço,
diversidade cultural e códigos abertos. “O estágio de disseminação da
rede é muito diferente no mundo. Os países pobres se preocupam em levar
a web a todos. Os ricos estão mais preocupados com questões
relacionadas à segurança, como pedofilia”, destacou. “Mesmo assim, a
internet é fundamental. Esperamos torná-la universal, segura, e
permitir que mais pessoas possam desenvolver-se com ela.”
