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África pede Internet com foco social e não apenas comercial

Veículo: Convergência Digital - 14/11/2007

A África representa 14% da população mundial , mas tem apenas 2% de pessoas conectadas à Internet e menos de 2% dos registros de domínio na rede mundial de computadores. "Temos a síndrome dos 2% na Àfrica", lamentou Mouhammet Diop, CEO da empresa Next.sn, do Senegal e consultor do Banco Mundial, ao proferir palestra no 2º Fórum de Governança da Internet, realizado no Rio de Janeiro.

O executivo entende que a África e a América Latina vivem o mesmo problema com relação à conectividade. Existe um modelo global de prestação do serviços de acesso à Internet, que leva em conta o tráfego e se beneficia economicamente dele. Este modelo, no entanto, não atende às características das duas regiões, que precisam garantir o acesso para a formação de políticas públicas e, não somente, garantir que toda a população ganhe o direito de navegar na rede.

Mouhammet Diop explicou que os 50 estados Africanos pagam caro por infra-estruturas de rede diferentes, que não apóiam iniciativas de inclusão digital dos governos. Aém disso não há um modelo que leve em conta os aspectos e as necessidades de cada país e, muito menos, interação. Esse problema, segundo ele, também estaria sendo enfrentado pela América Latina.

No fornecimento de redes e provimento de acesso à Internet, a África ainda padece da falta de concorrência. Diop explicou que embora existam no mundo pelo menos 950 grandes fornecedores de infra-estrutura e de provimento de acesso, e apenas dois estariam ofertando serviços atualmente nesta região. Para ele, sem uma concorrência que possa reduzir custos e melhorar a oferta de serviços, torna-se inviável a inserção dos países africanos no contexto do mundo globalizado.

Além disso, a taxa de analfabetismo no continente africano é alta, o que demandará iniciativas tecnológicas de multimídia para suprir essa lacuna. Diop alerta que se as novas tecnologias não se adaptarem à essa realidade educacional, não puderem contribuir de alguma forma para a redução do analfabetismo, de nada adiantará garantir o acesso do cidadão africano à Internet.

Para ele, existem recursos multimídia que podem contribuir para esse esforço bastando que as diversas interfaces oferecidas no mercado se comuniquem, e que seus preços sejam compatíveis com a realidade econômica dos países africanos. O problema hoje estaria justamente nos custos de adaptação dessas tecnlogias, que acabam sendo proibitivos para os países mais pobres.

"Podemos falar do acesso à Internet, mas esquecemos do fundamental. Sabemos que todo o problema da cúpula mundial é a questão de um financiamento, de um plano de ação operacional. Sabemos que é uma responsabilidade nacional, mas também é uma responsabilidade internacional conectar o outro bilhão de excluídos", afirmou.

Mouhammet Diop também ressaltou que tantos os países africanos como os latino-americanos, precisam de financiamento e apoio internacional para a escolha de tecnologias duradouras para que não acabem investindo caro em propostas erradas,capazes de deixarem seus cidadãos à margem da chamada "sociedade da informação".


Fonte: Convergência Digital

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