Controle da internet tende a ficar com os EUA
Veículo: Valor Econômico - 13/11/2007
Exceção feita aos americanos, ninguém concorda que a gerência mundial da internet continue sob a batuta da Organização da Internet para Designação de Nomes e Números (Icann, na sigla em inglês), organização que mantém um contrato direto com o Departamento de Comércio dos EUA.
Essa realidade, porém, dá poucos sinais de mudanças no médio ou longo prazo, simplesmente porque até agora não se encontrou uma proposta melhor para desempenhar o papel ocupado atualmente pela Icann. Ontem, o tema polêmico voltou à baila durante a abertura do 2º Fórum para a Governança da Internet, evento que acontece no Rio até a próxima quinta-feira. "Ainda não há alternativas claras", diz Hartmut Glaser, diretor do NIC.br, braço executivo do Comitê Gestor da Internet, entidade que representa a Icann no Brasil. "Mas acredito que há uma tendência de que [a gestão da rede] continue com a Icann."
Representantes de governo, empresas e entidades já chegaram a aventar duas possibilidade para desplugar a web da Icann. Primeiro, foi cogitada a possibilidade de que sua função fosse para as mãos da Organização das Nações Unidas (ONU). Depois, foi considerada a alternativa de criar uma gestão intergovernamental, envolvendo diversos países. Basicamente, ambas fracassaram devido à criação de burocracias e à lentidão que poderiam afetar as operações.
A tendência, pondera Glaser, é de que o Icann passe a ter uma postura "mais independente" dos Estados Unidos. Segundo ele, já há sinais dessa mudança. "Há três anos, o diretor executivo da Icann é o australiano Paul Twomey. Na última semana, o executivo do Google Vint Cerf saiu da presidência do conselho, e deu lugar ao neozelandês Peter Dengate Thrush."
Glaser adianta ainda que, em março de 2008, a entidade o Icann deverá fazer um tipo de consulta pública global para colher críticas e sugestões com o propósito de aprimorar seus serviços. "Ainda não temos detalhes de como isso funcionará, mas a idéia é que qualquer pessoa interessada possa dar a sua colaboração."
O acordo da Icann com os EUA foi renovado recentemente e termina em 2011. O governo brasileiro defende a idéia de que entidade já é menos dependente dos EUA, mas em grau insuficiente. A Icann tem o controle dos "nomes de domínio" - os endereços que permitem navegar na rede e enviar e-mail. É a entidade que decide, após aprovação do Departamento de Comércio, quem opera nomes genéricos com sufixos como ".com".
