Controlo dos EUA da Internet domina Fórum no Brasil
Veículo: Diario Digital - 13/11/2007
O controlo norte-americano dos endereços da Internet, e a forma como são geridos, foi um dos temas em discussão no primeiro dia do II Fórum para a Administração da Internet, que começou segunda-feira no Rio de Janeiro, Brasil.
Os participantes mostraram-se preocupados com as políticas que os norte-americanos definem para a atribuição dos domínios, como as relacionadas com sufixos em outras línguas que não o inglês.
«A Internet é transnacional. Não pode estar sob a autoridade de um único país», disse o ministro da Cultura brasileiro, Gilberto Gil, acrescentando que «a Internet deve ser um território para todos».
Este II Fórum para a Administração da Internet, uma conferência anual que discute assuntos relacionados com a rede mundial de computadores, não tem qualquer poder decisivo.
Mas pode servir para pressionar o país que está neste momento a controlar a Internet, os Estados Unidos, sobre determinados assuntos.
A questão que preocupa os participantes centra-se no controlo de domínios «.com» e «.org», sufixos necessários para encontrar páginas na Internet e encaminhar e-mails.
Ao controlar os sufixos principais da Internet, os Estados Unidos podem influenciar em grande parte aquilo que aparece on-line.
A administração dos domínios foi financiada pelo governo norte-americano e delegada ao Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), organização criada em 1998 pelo departamento norte-americano do Comércio e que controla o sistema do domínio de nomes.
Vários países reclamaram que o controlo dos Estados Unidos não foi discutido o suficiente na primeira reunião do Fórum, em 2006 em Atenas, por isso quiseram recuperar o assunto no encontro deste ano, incluindo-o no painel dedicado aos «Recursos Críticos da Internet».
A programação deste painel incluiu todo o tipo de diálogo sobre telecomunicações e especificações técnicas, mas a discussão acabou por se centralizar na administração norte-americana do governo e do ICANN dos nomes de domínio.
Alguns críticos demonstraram também que não será adequado integrar a administração do ICANN numa organização como as Nações Unidas, porque iria politizar ainda mais a Internet e impor mais facilmente alguma censura.
O presidente da ICANN, Paul Twomey, voltou a insistir nesta reunião que a organização é «internacional», explicando que só três dos 15 membros da administração são norte-americanos.
«Esta discussão sobre o papel do ICANN já se arrasta há algum tempo, mas não há um consenso para a mudança», disse o mesmo responsável, acrescentando que enquanto se discute este assunto está a dispersar-se de questões mais importantes, como o alargamento do acesso à Internet em países em desenvolvimento.
Apenas mil milhões de pessoas no mundo, ou 17 por cento da população mundial, tem acesso à Internet, uma das questões que este fórum pretende debater e encontrar soluções para alargar o acesso.
No fórum de quatro dias, no qual participam mais de mil representantes de governos, de empresas e da sociedade civil, estão também a debater a segurança na Internet, especialmente para os mais novos, prevenir a pornografia infantil, promover diversidade de linguagens e a discutir custos de acesso, a privacidade e os direitos humanos.
