Debatedor defende criação de infovia pública
Veículo: Agência Câmara - 19/12/2007
Na audiência pública para discutir novas metas para o Plano Geral de
Metas de Universalização (PGMU) da telefonia fixa, o representante do
Terceiro Setor no Comitê Gestor da Internet no Brasil, Gustavo Gindre,
defendeu a troca de metas para universalizar a banda larga. Ele sugeriu
a criação de uma infovia pública, que supere "os gargalos provocados
pelo monopólio das redes".
Gustavo
Gindre ressaltou que, em 1997, já era possível prever que apenas a
universalização da telefonia fixa não resolveria os problemas
brasileiros, pois, segundo ele, esse é um serviço em vias de extinção.
"A universalização passiva, isto é, apenas pelo mercado, é insuficiente
num país com tantas deficiências quanto o Brasil", afirmou. "É o caso
da TV por assinatura, cuja rede passa na porta da casa do cidadão, mas
ele não tem condições de pagar pelo serviço. É considerado incluído,
pois a infra-estrutura está disponível, mas é um excluído, na verdade",
observou.
Inclusão tímida
Ele considerou a política de
inclusão digital do Governo Lula "tímida e fragmentada". Segundo ele, o
debate sobre a universalização da internet pode ter sido realizado em
várias instâncias do Poder Executivo, mas não chegou à Câmara ou ao
Comitê Gestor, que inclui as entidades da sociedade civil e as
universidades.
Gindre questionou ainda o pouco tempo fornecido
pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para consulta
pública sobre as mudanças das metas. Segundo ele, a consulta durou
apenas sete dias úteis. Ele também criticou a "timidez" das exigências
do projeto, pois as larguras mínimas da banda sugeridas serão
insuficientes para o uso da população em cidades com mais de 60 mil
pessoas. "Apenas pouco mais de mil usuários conseguirão utilizar o
serviço ao mesmo tempo em cidades que poderão ter 200 mil habitantes",
criticou.
A audiência, promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, ocorre no plenário 9.
