Debatedores concordam com revisão de metas na telefonia
Veículo: Agência Câmara - 19/12/2007
Deputados e especialistas concordaram durante audiência pública, nesta
quarta-feira, com a necessidade de estabelecimento de novas metas para
o Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) dos serviços de
telecomunicações. A proposta, feita pela Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), pretende substituir a instalação de postos
de serviços de telecomunicações (PSTs) por investimentos em
infra-estrutura para ampliação do acesso à internet.
O
PST é um conjunto de instalações de uso coletivo mantido pela
concessionária, onde deve haver orelhões, computadores com acesso à
internet discada e fax. Ao invés de instalarem esses postos em todos os
municípios, as concessionárias ficariam responsáveis pela extensão do backhaul
(estrada de banda larga) para internet. A audiência para discutir o
PGMU foi realizada pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e
Informática.
Esquecimento
Segundo o deputado Walter
Pinheiro (PT-BA), que sugeriu a audiência, é preciso fazer a cobertura
daquilo que foi esquecido na Lei Geral de Telecomunicações (9.472/97).
"Já se convivia com a internet na época de aprovação da lei, mas a
banda larga não foi incluída na legislação na época, ainda que os
princípios citem a inclusão digital", afirmou.
Ele afirmou que
houve a percepção de que o PST já é uma tecnologia defasada,
especialmente com a explosão nas vendas de computadores pessoais no
Brasil.
Pinheiro reconheceu que houve um crescimento exponencial
do acesso à internet nos últimos anos, mas afirmou que continua a
"concentração desse uso em algumas localidades". "Não há necessidade de
grandes alterações na legislação, as regras já estão previstas",
opinou. "O desafio é organizar o que diz a legislação, realizar o
acordo entre empresas e o governo e liberar os recursos do Fundo de
Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust)", defendeu.
Viabilidade
O
presidente da Associação Brasileira de Concessionárias do Serviço
Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti, explicou
que havia, na época de formulação do plano geral, a expectativa de que
a linha discada seria suficiente para ampliar o acesso à internet.
Pauletti
disse que a expansão da telefonia celular e o interesse da população
pela banda larga não foram previstos pelos formuladores das políticas
públicas na época. Segundo ele, as concessionárias aguardam o resultado
da consulta pública sobre a troca das metas. "O importante é que essas
metas precisam ter viabilidade econômico-financeira", enfatizou.
Monopólio
Já
o representante do Terceiro Setor no Comitê Gestor da Internet no
Brasil, Gustavo Gindre, defendeu a proposta de troca de metas para
universalização da banda larga, mas ressaltou que, em 1997, já era
possível prever que somente a universalização da telefonia fixa não
resolveria os problemas brasileiros.
Ele defendeu a criação de
uma infovia pública, que supere "os gargalos provocados pelo monopólio
das redes". "A universalização passiva, isto é, apenas pelo mercado, é
insuficiente num país com tantas deficiências quanto o Brasil",
afirmou. "É o caso da TV por assinatura, cuja rede passa na porta da
casa do cidadão, mas ele não tem condições de pagar pelo serviço. É
considerado incluído, pois a infra-estrutura está disponível, mas é um
excluído, na verdade", observou.
