Governo e teles têm nova reunião para discutir banda larga em escolas
Fonte: Teletime - 19/12/2007
O governo e as concessionárias de telecomunicações terão nesta quinta,
20, mais uma reunião para tentar chegar a um acordo sobre o projeto de
levar conexão à internet gratuitamente a 55 mil escolas públicas
brasileiras. Segundo Cesar Alvarez, sub-chefe de gabinete da
presidência da República e assessor especial do presidente Lula para o
projeto de inclusão digital, a discussão se dá apenas em relação ao
prazo desse compromisso: as empresas aceitam três anos, o governo quer
18 (pela vigência da concessão). Não há mais discussão sobre a troca
dos Postos de Serviços de Telecomunicações por backhaul em todos os
municípios. Essa política será implementada de qualquer maneira,
conforme os termos da consulta do Planos de Meta de Universalização
(PGMU) proposta pela Anatel. Também não há mais discussão sobre
compartilhamento de infra-estrutura, porque o governo desistiu dessa
idéia. Roberto Pinto Martins, secretário de telecomunicações do
Ministério das Comunicações, acredita que as empresas vão acabar
aceitando a proposta porque é uma obrigação que não onera
demasiadamente suas operações mas que tráz imensos ganhos sociais.
“Hoje, o que estamos pedindo é 1% do que elas já oferecem no mercado de
banda larga. Daqui a alguns anos, essas 55 mil escolas não serão nem
0,5% da base instalada de acessos ADSL”. Tanto Alvarez quanto Martins
reconhecem, contudo, que essa é uma discussão sobre um benefício
adicional a ser criado para a sociedade, que está sendo travada no
campo do interesse público. Contratualmente apenas a cobertura das
cidades com backhaul pode ser compulsória. “Estamos discutindo o que
virá a mais para a sociedade”, disse Martins. Eles estiveram nesta
quarta, 19, na Câmara dos Deputados, em audiência sobre a possibilidade
de trocas dos PSTs por acesso banda larga.
Novas metas
Segundo
a superintendente de universalização da Anatel, Enilce Versiani, o
final de 2008 será o momento de se discutir outras obrigações
adicionais: “O PGMU 3, (referência à terceira versão do Plano Geral de
Metas de Universalização) entra naturalmente em consulta no final de
2008, em função dos prazos de revisão contratual. Esse será um bom
momento para que se discutam novas metas e obrigações”, lembrou.
Segundo
Alvarez, o que está sendo feito agora é a a proposta de um desafio às
concessionárias de olho no interesse público. “Por isso propusemos a
troca dos PSTs por backhaul. Sabemos que o que dita o mercado de banda
larga é o interesse econômico, não o juízo moral. Mas é preciso apostar
em novos consumidores". Esse foi o nosso desafio. Demos a possibilidade
de receita da venda do serviço de linha dedicada.
Insuficiente
Para
Gustavo Gindre, representante do terceiro setor no Comitê Gestor de
Internet (que tem como função discutir políticas de universalização da
internet no País), já em 1997 era possível antever que a
universalização do telefone fixo apenas seria insuficiente. “A LGT é
tímida e obriga apenas a universalização de um serviço em vias de
desaparecimento”. Para Gindre, em países como o Brasil, não basta ter
infra-estrutura nas cidades e esperar que a universalização se dê por
demanda do mercado. “Só trocar os PSTs pelo backhaul não é suficiente”.
Para ele, falta uma política centralizada do governo em relação à
universalização da banda larga.
“O debate sobre a troca dos PSTs por
backhaul transcorreu longamente dentro do governo. Mas ele jamais veio
a público de forma oficial, não passou pela Câmara, não passou pelo
Comitê Gestor de Internet. Lá é o espaço de construção de consensos. A
consulta pública durou sete dias úteis”.
Política
José
Fernandes Pauletti, presidente da Abrafix, lembra que a universalização
da telefonia foi uma decisão do governo em 1997, e que gerou
investimentos de R$ 60 bilhões. E que na época não contemplou nem a
mobilidade, nem a internet em banda larga porque isso não era a
prioridade do País. O deputado Walter Pinheiro (PT/BA) concorda:
“Chegamos à conclusão que o próprio PST está ultrapassado. Não podemos
mais discutir universalização no estilo ‘atendimento de aldeia’. Isso
ficou em 1997”, disse o deputado.
Para o deputado Jorge Bittar
(PT/RJ), é importante ter o backhaul em todas as cidades, mas também é
ter clara a forma de utilizá-lo. “Eu prefiro que o governo não opere
rede. Se fosse bom operar rede, Banco do Brasil, Bradesco e outros
teriam redes próprias. O importante é ter capacidade de compartilhar os
links com preços razoáveis”, disse, lembrando que falta a definição do
modelo de custos. Também é preciso combinar com Estados e municípios a
complementação do que já foi feito pelos municípios e Estados. Não
seria inteligente haver a superposição. Penso que o melhor desenho
seria aquele já discutido, com um edital nacional bancado com recursos
do Fust para aqueles que queiram atender escolas, centros de saúde etc.
Sem prejuízo da participação das concessionárias”.
