IGF: 1.376 pessoas de 109 países debateram os rumos da Internet
Veículo: Convergência Digital - 19/11/2007
O
2° Fórum de Governança da Internet (IGF, da sigla em inglês), reuniu um
total de 1.376 pessoas de 109 países, de 12 a 15 de novembro, no Rio de
Janeiro. O último dia (15) foi marcado por uma auto-avaliação sobre o
formato do evento e a discussão de temas novos sobre a gestão da
internet. Uma das demandas mais ouvidas foi por um documento final com
recomendações - que o IGF não produz por ser este um fórum de
discussões e diálogo, como sublinharam os organizadores.
As
duas sessões principais que marcaram o encerramento do evento trataram
de revisar o que se fez para decidir como caminhar no próximo
encontro, agendado para acontecer em Nova Déli, em 2008, e da
discussão de temas nascentes sobre a governança da internet e que serão
alvo de atenção, nos próximos anos.
Na
prática, a sessão sobre revisão discutiu o formato do próprio encontro,
sua metodologia e as inovações na composição da programação e dos temas
discutidos. Neste ano, o debate sobre pornografia infantil na internet
e sobre recursos críticos de internet (infra-estrutura física e lógica
da internet, pontos de interconexão, gestão de servidores DNS,
servidores-raiz e IPs) foram inovações. "E vimos que andaram muito
bem", comemorou Nitin Desai, conselheiro especial do secretário-geral
da ONU sobre Governança da Internet, na coletiva de imprensa de
enceramento.
Porém,
o público presente, incluindo alguns representantes de governos e da
sociedade civil, reclamaram por um relatório final que faça
recomendações ou traga conclusões, traduzindo as discussões em algo
mais concreto e palpável, que poderia guiar as ações. O único documento
final apresentado foi um resumo das sessões principais.
"Temos
muito entusiasmo em dividir experiências e preocupações. Porém, seria
interessante haver, ao final, recomendações-chave, para que tenhamos um
sentimento mais concreto de progresso", disse ao Convergência Digital,
o malinês Adama Samassekou, experiente neste tipo de evento, por ter
atuado como presidente do processo preparatório da primeira fase da
Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI).
Os
organizadores explicaram, tanto nas sessões plenárias quanto na
coletiva de imprensa, que o IGF é um espaço de debate e que, por isso,
sua função não inclui ter um documento final. "Não há um resultado
único. É entendido que o IGF não produz conclusões".
O
grande resultado são as discussões muito importantes acontecidas aqui,
especialmente nas oficinas e encontros paralelos, e também a discussão
de novos temas que adicionam ao que foi debatido em Atenas [onde
ocorreu o primeiro IGF, em 2006]", esclareceu Augusto César Gadelha
Vieira, coordenador do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br),
entidade responsável pela organização do evento no país.
Outra
falta bastante sentida – e apontada por inúmeros debatedores na sessão
de revisão – foi de uma maior representação dos usuários de Internet no
encontro, muito freqüentado por representantes de governo, do setor
privado e de organizações da sociedade civil como comprovam os números
divulgados pela organização ao final do evento: Dos 1.376
participantes, 380 eram da Sociedade Civil, 302 pessoas do governo, 168
do setor privado, 104 da mídia e 67 de organizações intergovernamentais.
Novos temas
Na
sessão sobre temas importantes que estão surgindo, as discussões sobre
regulação da Internet e responsabilização de usuários dominaram as
atenções. Na mesa, figurões como Vint Cerf, considerado o "pai da
Internet" e atualmente Chief Internet Evangelist do Google, e Bob Kahn,
o outro "Pai da Internet", que na década de 70 criou, junto com Cerf, o
Protocolo TCP/IP.
Também
participaram Augusto César Gadelha Vieira, Coordenador do CGI.Br, e
Demi Getschko, membro do CGI.Br e do Conselho da ICANN, Vittorio
Bertola, Consultor Independente da Itália e membro da Coalizão Dinâmica
sobre Carta de Direitos da Internet, Robert Pepper, Diretor-Sênior para
Assuntos de Governo da Gigante Cisco, Fred Baker, Fellow da Cisco, Nii
Quaynor, da Network Computer Systems, de Accra, e Andrews Keen, autor
do livro "O culto ao Amador".
Regular
sem censurar benefícios e malefícios da possibilidade de participação
anônima na web, adoção do IPV6, uso da Internet de hoje como estrutura
para criar algo novo, web semântica (onde a URL não será tão
importante, mas sim o nome do assunto da página), permanência do
conceito livre da Internet.
Estes
assuntos foram objeto de perguntas e questionamentos para o futuro,
muito mais do que afirmações e definições no momento. O que ficou
nítido foi que, nos próximos anos, será um debate quente entre
regulamentação da Internet e manutenção da liberdade que lhe é peculiar.
Neste
sentido, já há a idéia de criação de uma Carta de Direitos na Internet,
que orientaria como devem ser respeitados no ambiente de rede mundial,
os direitos existentes no "mundo real", assim como, aqueles que surgem,
exatamente, por causa do uso da web. Basicamente, direitos como
participação, acessibilidade, multilinguismo etc. A Carta já está em
debate em uma Coalizão Dinâmica Específica, no âmbito do IGF.
