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Inclusão digital ganha comissão

Veículo: Agência de Notícias do Acre - 19/11/2007

Ministros assinam durante o IGF uma portaria para criar infovia em todo o país


O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o ministro da Ciência e Tecnologia, Nelson Rezende, assinaram durante o Internet Governance Forum (IGF) uma portaria criando uma comissão interministerial para inclusão digital. A idéia é integrar os três ministérios através de grupos de trabalho para fomentar projetos técnicos e culturais.

O mentor da comissão foi Mangabeira Unger, que na abertura do IGF fez o discurso mais contundente, afirmando que a governança da internet deve passar a um novo estágio e deixar de representar apenas o poder econômico e cultural dos países mais desenvolvidos.

- A evolução da internet deve obedecer a dois princípios. O primeiro é o princípio anti-hegemônico. Naturalmente, como tudo o mais, a internet começou num lugar, no caso os Estados Unidos, e no Icann (organização que controla os nomes de domínio da internet no mundo) predomina a influência americana. Já passou da hora de seguirmos para uma segunda etapa, em que a governança da grande rede não esteja sob a tutela de qualquer potência - afirmou Mangabeira.

O segundo princípio, disse o ministro, é libertar a internet do poder do Estado e do poder do dinheiro. Existe uma proposta para substituir o ICANN na governança da internet por uma associação internacional de países, como a ONU, mas para Unger isso não é suficiente, pois ainda daria muito poder aos governos nacionais, ainda que a vários deles.

- É preciso chegar a uma forma de governança que dê voz a todos: aos Estados, aos empreendimentos privados e sobretudo à sociedade civil, que, sem dúvida, ainda não está organizada. Mas a própria internet é um instrumento para isso. Não se deve esperar que a sociedade civil se organize, mas sim usar a internet como instrumento de libertação - afirmou o ministro.

Mangabeira: colaboração de inovadores é essencial

A comissão interministerial pretende trabalhar em quatro frentes: a construção de uma infovia completa para o país; a capacitação popular para acesso à internet; o estímulo à produção de conteúdos digitais nacionais e populares; e o desenho institucional de uma governança da internet que esteja atenta à inovação do conceito de propriedade, substituindo "o arbítrio do dono individual pela colaboração coletiva de inovadores", segundo Mangabeira.

Gil mencionou os projetos do governo na área de software livre e também a questão de direitos autorais, que, segundo ele, hoje são alvo de uma reformulação para a inclusão cada vez maior dos "commons", dos comuns, no processo.

- A portaria representa uma tomada de responsabilidade do governo na convergência entre o pontogov, o pontocom, o pontoorg e outros "pontos" - disse Gil. - Conversei com o presidente Lula sobre o assunto e ele demonstrou sua preocupação com relação à rápida disseminação da internet, e no sentido de que haja uma governança democrática da rede, representativa de todos os países, inclusive os países em desenvolvimento.


Fonte: Agência de Notícias do Acre

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