Internet é mais cara nos países pobres do que nos ricos, afirma especialista
Veículo: Agência Brasil - 27/11/2007
Um cidadão de Manaus paga cerca de 1.600% a mais pelo uso da internet
do que um morador da Europa ou dos Estados Unidos. Tal distorção é
causada, entre outros fatores, pela hegemonia dos norte-americanos na
administração dos domínios (propriedade dos endereços dos sites),
concluiu hoje (27) um painel da 6ª Oficina para a Inclusão Digital, que
ocorre em Salvador até quinta-feira (29).
Segundo Carlos Seabra,
diretor de Tecnologia e Projetos do Instituto de Pesquisas e Projetos
Sociais e Tecnológicos (Ipso), é necessário o engajamento da população
para que o acesso à rede mundial de computadores seja democratizado.
“Quanto mais pobre o país, mais as pessoas pagam, e dentro do país
também existem diferenças”, ressaltou. “A população que está sendo
incluída digitalmente precisa entender o que se passa política e
economicamente para termos uma cidadania participativa.”
Mediada
por Seabra, a mesa contou com a presença de Carlos Afonso,
representante da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet Brasil, e
de José Alexandre Bicalho, representante da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel). A proposta foi fazer um balanço sobre os
resultados do Fórum de Governança da Internet (IGF), que aconteceu em
novembro, no Rio de Janeiro.
“As pessoas devem ter mais
consciência do que está por trás da inclusão digital. Temos de entrar
nas discussões de governança de forma pesada”, declarou Seabra. “Se um
país como Ruanda quer se conectar à internet, tem que pagar um
dinheirão, ao passo que a Austrália, quando vai se conectar, paga muito
menos, porque eles têm um poder de negociação maior com os Estados
Unidos”, disse.
No debate, também foram apresentados indicadores do uso da internet
no Brasil. Para Seabra, a internet pelo celular pode se converter em
uma maneira de ampliar o acesso à rede mundial de computadores.
“Percebemos o crescimento do uso da internet por celular, nas
classes A, B e também nas C e D. Discutimos, então, um jeito de
democratizar a gestão das redes digitais em todo o planeta”, afirmou
Seabra.
A neutralidade na transmissão de dados também foi foco
das discussões. Segundo Seabra, há provedores de acesso, no Brasil, que
reconhecem quando o usuário está no site do concorrente e, por isso, torna a conexão mais lenta para aquela página.
