Órgão de defesa do consumidor comprova limitação de BitTorrent por provedor
Veículo: IDG Now! - 03/12/2007
Comissão Federal de Comunicações usa rastreador
para comprovar que redes torrent são alvo de perda de pacotes em
conexões da Comcast.
A Comissão Federal de Comunicações (da sigla em inglês, FCC),
organização nos Estados Unidos responsável por defender os direitos de
consumidores em relação a questões eletrônicas e digitais, divulgou
estudo na última semana apresentando provas sobre a interferência da
provedora Comcast nas redes P2P acessadas por seus clientes, prática
conhecida como "traffic shapping".
Realizado a pedido do
movimento SaveTheInternet, o estudo usou um rastreador de pacotes
chamado Wireshark para determinar que a conexão da provedora, ao baixar
e oferecer livros em domínio público por serviços BitTorrent,
reiniciava o envio e recebimento de pacotes TCP após determinado
momento, impossibilitando o download de conteúdo pela velocidade plena
adquirida pelo cliente.
"Consideramos a possibilidade de que
outros provedores pudessem estar envolvidos nesta intermediação e
testamos conexões oferecidas por outras empresas, como Sonic, AT&T
e provedores internacionais. Em uma série de testes, observamos apenas
irregularidades em conexões de clientes da Comcast", afirma o estudo (em PDF), conduzido por Peter Eckersley, Fred von Lohmann e Seth Schoen.
Segundo
a análise, a Comcast instalou o programa que vem interferindo com a
conexão de seus consumidores perto de maio de 2007, mesmo mês em que o
FCC começou a receber as primeiras reclamações de usuários sobre a
deficiência no tráfego, algo que a Comcast negou ao afirmar que a
empresa "não bloqueia qualquer aplicação ou protocolo".
Suspeito
de ser aplicado também por provedores brasileiros, mas ainda sem
qualquer prova, o "traffic shapping" é uma estratégia usada pelas
empresas para diminuir o consumo de banda por alguns de seus clientes
"heavy-users", que usam a conexão para baixar conteúdo multimídia
muitas vezes de maneira ilegal.
Os provedores acusados pelo movimento Abusar negam as acusações do movimento.
Para
explicar as conseqüências da estratégia da Comcast, a FCC comparou o
"traffic shapping" a ações de crackers, se comportando "essencialmente
como uma operadora de telefonia que interrompe uma ligação imitando a
voz do interlocutor para avisar ao outro que 'a ligação terminou, estou
desligando'".
Mesmo com as evidências, a FCC não revelou se pretender iniciar uma ação legal contra a provedora norte-americana.
