Pai da Web propõe padrões abertos entres redes sociais por Web Semântica
Veículo: IDG Now! - 23/11/2007
Tim Berners-Lee explica mudança de foco online dos documentos para relações sociais e propõe padrão aberto que viabilizaria Social Graph.
Pode até parecer contraditório que o britânico Tim Berners-Lee escreva um post em seu blog
defendendo que sua criação, o protocolo World Wide Web que permite que
você leia esta notícia ou navegue pela internet, saia do foco da
atenção de desenvolvedores, webdesigners e usuários e dê espaço ao
conceito de Social Graph.
Mas não é. Em rara atualização no seu
blog dentro do Decentralized Information Group, Berners-Lee usou como
exemplo a evolução no conceito de importância que sustenta a internet
para defender a introdução de padrões abertos em serviços online,
notoriamente redes sociais, que permitam que internautas possam
gerenciar seus dados conforme sua vontade.
A evolução da
internet, segundo explica o pesquisador, começou seu desenvolvimento
centrado primeiramente na capacidade de computadores se conectarem para
que aplicações usassem a rede de micros interconectados para envio de
mensagens sem a necessidade de um servidor central responsável.
Em
um segundo momento, chegou-se à conclusão que o importante não era a
máquina, mas sim os documentos que poderiam ser encontrados na rede que
importavam, o que levou á aplicação prática e conseqüente popularização
da World Wide Web.
Atualmente, continua Berners-Lee, "existe a
conclusão de que não são os documentos, mas sim sobre o que eles tratam
que importa. Óbvio, de verdade", citando que biológos estão
interessados em drogas, empreendedores em vendas e todos nós em amigos,
família e colegas.
"Existem muitos posts em blogs sobre a
total frustração de, enquanto você tem um grupo de amigos, a Web lhe
ofereça documentos separados sobre eles. Um no Facebook, um no
LinkedIn, um no LiveJournal, um no Advogato e por aí vai. Os serviços e
documentos separados são de fato sobre a mesma coisa - mas o sistema
não sabe sobre isto", explica.
Em seu post, Berners-Lee não cita ou comenta a plataforma OpenSocial, apresentada pelo Google para tentar solucionar o problema de conexão entre diferentes redes sociais.
A solução para Berner-Lee estaria na implementação de padrões abertos por todos os serviços que relacionam a estrutura social do usuário, conhecida tecnicamente como Social Graph, para que houvesse o reconhecimento automático de amigos, familiares e colegas do internauta quando a inscrição em um novo serviço fosse feita, o que ele chamou de Giant Global Graph, em referência direta à sua WWW, em substituição à expressão Web Semântica proposta pelo próprio pesquisador.
"Nós
temos a tecnologia - é a tecnologia da Web Semântica, começando com (as
especificações) RDF OWL e SPARQL. Não são funções mágicas, mas
ferramentas que nos permitem nos libertar da camada de documentos (da
atual internet). Se uma rede social usa um formato comum para expressar
que eu conheço o (pesquisador de Web Semântica no W3C) Dan Brickley, então qualquer outro site ou programa pode usar o dado para me dar um serviço melhor", explica.
"Quando
eu marco um vôo é nele que estou interessado, não na página do vôo, no
site do meu destino ou no site da companhia aérea, mas nos dados do
próprio vôo. É isto que eu pretendo salvar. E independente do aparelho
que eu use para acessar os dados guardados, telefone ou parede do
escritório, ele reproduzirá uma visão apropriada à situação da
integração de diversas fontes mostrando tudo o que sei sobre o vôo.
(...) A reserva e o próprio vôo serão os fatores primários para que eu
me preocupe, enquanto os sites envolvidos serão secundários", diz.
O
lado menos agradável do novo sistema proposta por Berners-Lee para
compartilhamento de dados, segundo ele, seria a perda de controle,
argumento rebatido usando a natureza da própria rede. "Na verdade, a
cada camada - Net, Web ou Graph - cedemos um pouco de controle em nome
de benefícios maiores".
