Reunião mundial no Rio debate web mais segura e democrática
Veículo: O Globo - 12/11/2007
O monitoramento da rede mundial de computadores, a internet, deve ser exercido de forma equilibrada, com a representatividade dos diversos países, regiões e dos distintos setores da sociedade. A afirmação foi feita nesta segunda-feira pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, durante a abertura do 2º Fórum para a Governança da Internet (IGF), fórum apoiado pelas Nações Unidas que vai até quinta-feira, no Rio. Para o ministro Sérgio Rezende, o modelo ideal de governança da internet não pode ser atrelado ao governo de nenhum país em particular. Atualmente, esse controle é realizado por uma entidade privada sem fins lucrativos nos Estados Unidos, o Icann.
O tratamento equânime das nações é condição necessária para uma confiança global em seu funcionamento e, portanto, para a sustentabilidade da internet. Apesar da origem localizada, ela hoje é resultado de muitas contribuições revolucionárias de distintas nacionalidades - afirmou Rezende, em discurso.
A governança da internet e as formas de manter o meio como um canal livre, porém responsável, de comunicação são temas que estão no centro das discussões do IGF Brazil 2007, evento que conta com o apoio das Nações Unidas e do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), com representantes de mais 100 países. Pelo menos dois mil participantes devem participar dos debates, que este ano norteiam o tema "A Governança da Internet para o Desenvolvimento" e vai abordar cinco grandes assuntos: acesso, diversidade, abertura (openness), segurança e recursos críticos.
Rezende destacou que a internet tem o grande potencial de promover a parceria global para o desenvolvimento das Metas do Milênio. Para isso, no entanto, é necessário o uso de um protocolo comum de comunicação, além da permissão de interconexão de redes regionais e o compartilhamento de informações e conteúdos.
O ministro lembrou a importância da internet nos mais diversos setores da sociedade, entre eles o acesso à informação, a educação a distância, o comércio eletrônico e as transações financeiras. Segundo ele, trata-se de um bem de interesse público e universal que deve ter uma governança pautada por esses interesses, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da pessoa humana e a construção de uma sociedade mais justa.
Ele defendeu ainda as iniciativas voltadas à eliminação do "hiato digital" que, segundo Rezende, é um fator de aumento da disparidade no grau de desenvolvimento dos países. Para ele, os países desenvolvidos devem contribuir para os programas de inclusão nos países pobres, enquanto as nações em desenvolvimento devem intensificar seus esforços para ampliar o uso do computador pela população e a penetração da internet.
Com esse objetivo, acrescentou o ministro, somente neste ano serão produzidos no Brasil cerca de 10 milhões de computadores pessoais - a meta do governo federal é que até 2014 todas as 140 mil escolas públicas tenham acesso à internet.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, 39 milhões de pessoas são usuárias da rede mundial de computadores. O país é o sexto maior usuário de internet no mundo, superando o Reino Unido, França e Itália.
Criado durante a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, da Organização das Nações Unidas (ONU), o fórum está na segunda edição. A primeira aconteceu, no ano passado, na Grécia. Os próximos encontros serão realizados na Índia e no Egito.
