Teles têm até o dia 18 para levar ao governo proposta para infra-estrutura
Veículo: Teletime - 13/12/2007
A reunião realizada entre a ministra Dilma
Rousseff, da Casa Civil, com os presidentes das três concessionárias de
telefonia fixa nesta quinta, 13, serviu para passar um recado às
empresas: o governo quer que as teles apresentem uma proposta viável
para ajudar o governo a ter a sua “infovia” digital, ligando todas as
escolas do País com banda larga e criando uma infra-estrutura de
backhaul em todos os municípios.
A ministra Dilma, segundo
apurou este noticiário, se disse insatisfeita com as propostas feitas
até agora, ressaltou que não é intenção do governo criar uma empresa
estatal para explorar o serviço e que a prioridade vai ser dada às
teles que já estão no mercado. Mas, caso não se chegue a um acordo,
cada um seguirá o seu caminho: do lado das teles fixas, elas seguirão
implantando os PSTs (Postos de Serviços de Telecomunicações), previstos
nos contratos e no PGMU (Plano Geral de Metas de Universalização), e o
governo buscará uma alternativa. A ênfase, agora, está em uma possível
licitação internacional que seria aberta para a implantação desta
infra-estrutura e prestação dos serviços. O que anima o governo é o
suposto interesse de uma grande empresa norte-americana que tentou
entrar no Brasil na época da privatização, sem sucesso (poderia ser a
AT&T, por exemplo). Mas a licitação seria aberta a todos os
interessados, inclusive empresas móveis e as próprias teles.
Do
lado das empresas, existe um certo desconforto, que ficou evidenciado
durante a reunião. A preocupação é com um comportamento aparentemente
desorientado do governo, com vontades diferentes, manifestadas por
interlocutores diferentes. Afinal, perguntou um dos participantes, qual
é o objetivo: conectar escolas, dotar todas as cidades de backhaul, ter
uma rede própria ou criar uma empresa de telecomunicações? A pergunta
está baseada, apenas, na compilação de todos os vários projetos que
saíram de diferentes ministérios e do Planalto ao longo dos últimos
meses.
Prazo curto
A expectativa do
governo é que seja apresentada uma proposta das teles mais viável na
próxima semana. Se isso acontecer, haverá, apostam, tempo para que se
tome as medidas legais (como um novo adiamento na implantação dos PSTs
ou a mudança no PGMU) ainda em 2007. Se atrasar, a coisa fica mais
complicada e o governo poderá partir para um plano B, deixando as teles
com as obrigações atuais de instalação dos postos de serviço. O governo
acha que tem maior poder de barganha, já que as teles estão obrigadas a
instalar PSTs, e que isso só representará gastos, e nenhum potencial de
receitas para elas.
As teles de fato pretendem apresentar até a
próxima terça-feira, 18, uma proposta final para a conexão de banda
larga em todas as escolas. Será, sem dúvida, uma proposta mais
agressiva do que a que foi colocada até aqui (pela qual as
concessionárias conectariam 14 mil escolas gratuitamente), mas não deve
incluir a cessão de capacidade de rede (o governo pedia a cessão de
lâmbda das fibras ópticas). A preocupação das empresas é que a última
reunião do conselho da Anatel será na próxima semana, dia 19, e
dificilmente esse seria um assunto resolvido em circuito deliberativo,
de modo que há, na prática, apenas o final de semana para que a
proposta seja concluída.
